Quarta-feira, Março 14, 2012

Justiça em pirataria

A indústria do entretenimento diz que a pirataria é o mal do setor. Os usuários dizem que é o preço alto dos produtos. Pra mim, é o desrespeito ao consumidor.
Costumo comprar caixas e caixas das séries que não consigo acompanhar pela tv. Em geral, aguardo o preço cair depois do lançamento da temporada seguinte.
Pois bem. Com o lançamento da 5ª temporada de Justiça Sem Limites (Boston Legal), tentei comprar a 4ª, porém em todos os sites de compra a informação era a mesma: produto indisponível.
Procurei a Fox e me informaram que o produto "havia esgotado".
Ai já é subestimar a minha inteligência. Como poderia a 4ª temporada ter se esgotado, se há várias ofertas de todas as demais? Será que varias pessoas resolveram comprar apenas essa temporada da série, ignorando as anteriores e a seguinte? Só se tivessem extras com os vídeos de Pamela Anderson e Paris Hilton!
Sabendo que a versão argentina tinha legendas em português, procurei por lá, mas também só encontrei outras temporadas, mas nunca a 4ª. Nem nos sites.
Coincidentemente, a produtora que descontinuou a série Buffy no Brasil, fazendo com que quem tinha comprado as primeiras caixas amargasse um prejuízo, lançou o box Justiça Sem Limites -A série completa.
Recusei-me a dar dinheiro pra Fox, adquirindo 3 temporadas que eu já tinha, só para ter a continuidade da série. Recorri, então, à pirataria.
Comprei em um site a temporada, percebendo que é a única das 5 que não tem áudio em português, apenas legenda, o que indica que teve sim, um tratamento diferenciado das demais para o nosso mercado.
Aliás, o site tem muito o que ensinar as grandes empresas sobre atendimento ao consumidor. As dúvidas que tinha antes da compra foram respondidas rapidamente e a vendedora sempre atenciosa.
Agora fica a questão: confio em comprar novas séries da Fox, ao custo de R$ 50,00 por temporada, quando o preço cai, com o risco de serem descontinuadas ou compro pirata, por metade do preço?

Sábado, Março 10, 2012

Golfinho

Golfinho - Duda Valverde

Essa música vai pro meu amigo que não tem Facebook. Os motivos de não estar na rede social ainda são parte do seu charme,  do que o faz tão especial e querido por todos (bom, nem todos, e certamente nem todas, mas isso também faz parte do seu charme).
No momento, talvez ele não perceba isso, mas em breve ele transforme esse cais num mar e volte a nadar tão livre como gosta.
Eu realmente te amo. Saiba que torço por você e gosto mesmo desse seu jeito enrolado e furão de ser. (Só pra você não estranhar que qualquer elogio tem que ter uma porrada).

Pra quem não conhece e pra quem ama.

Você já viu Jussara Silveira?

Ricardo Freire
(Jornal da Tarde - 25/10/2000)

Eu sou do tempo em que Chico Buarque tocava na FM. E não era em rádios tipo a Eldorado, não: era em qualquer FM. Lembro perfeitamente que Geni e o Zepelim ficou semanas a fio em primeiro lugar na parada - pasmem - da Rádio Cidade (em Porto Alegre, pelo menos). Tudo bem que estava todo mundo besta de a censura (a temível Dona Solange) ter liberado o verso joga bosta na Geni. Era mesmo inacreditável poder ligar o rádio e cantar junto joga bosta na Geni! joga bosta na Geni! - parecia o primeiro sinal de que um dia os milicos iam realmente cair. Palavrões à parte, o fato é que, naquele tempo, MPB e FM conviviam no mesmo alfabeto. Naquele verão de 79, centenas de milhares de argentinos aproveitaram o câmbio vantajoso (é a chamada Lei de Passarella: argentino gosta de levar vantagem em tudo) e invadiram o Brasil. Cada um deles voltou para casa com uma TV colorida 14 polegadas no colo e um disco da Ópera do Malandro debaixo do braço. Ruêga buêsta en la Reni! Mas a canção da Ópera do Malandro que fez mais sucesso não estava naquele LP: era O Meu Amor, na versão de Maria Bethânia e Alcione, que tinha saído no disco Álibi, de Bethânia, em 78. Tratava-se de uma música com carga erótica mais intensa que O Último Tango em Paris (que, se não me engano, tinha sido liberado na mesma época). Chico Buarque nunca levou tão a fundo sua poesia com voz de mulher. A música dizia coisas como roçar a nuca com a barba malfeita, pousar coxas sobre coxas, rir do umbigo e cravar os dentes - uma coisa louca, de não se poder ouvir na frente dos próprios pais. Uma geração mais tarde, cá estava eu lendo meu jornal quando vi que Bethânia ia se apresentar em São Paulo, com convidadas; e que uma das convidadas era Alcione; e que uma das músicas que elas cantariam em dueto seria exatamente O Meu Amor. Uêba! Recordar é viver! E então, enquanto todo mundo ia ao Free Jazz, lá fui eu para o Credicard Hall. Eu já escrevi aqui uma coluna sobre Alcione (na verdade, era mais sobre o Teatro Rival, no Rio), mas acho que nunca falei de Bethânia. Vou tentar resumir o que eu penso em poucas palavras. Para mim, Bethânia não é uma cantora: Bethânia é uma entidade. Bethânia é o quinto elemento. Bethânia é o 13º signo. Bethânia é uma minoria sexual em si. Bethânia é tudo. E minha caixa postal recusará automaticamente todos os e-mails em contrário. O show demorou para esquentar (talvez porque aquelas que costumam gritar Poderosa!, Vitaminada!, Hierárquica! deviam estar todas no Free Jazz). Quando Bethânia e Alcione cantaram O Meu Amor eu ainda estava frio, tentando imaginar uma maneira de ignorar o eco joão-gilbertiano do Credicard Hall (sim, ele existe, não é frescura) e tecendo comparações sempre favoráveis ao Palace (sim, eu gosto mais de Congonhas do que de Cumbica). Veja bem: não é que não estivesse gostando - eu só não estava adorando. Até que de repente entraram as outras três cantoras convidadas. Uma delas, Jussara Silveira. Você já ouviu Jussara Silveira? Eu já. Tenho os dois discos dela. O primeiro, independente, gravado em 96 (depois reeditado pela Dubas, de Ronaldo Bastos), tem um repertório muito bem-escolhido e bem-arranjado (baianos novos, um Luiz Melodia clássico, um Chico e um Caetano pouco batidos). O segundo, já sob os cuidados de Ronaldo Bastos, é uma antologia de canções de Dorival Caymmi que rivaliza com o impecável Gal Canta Caymmi, de 75. Eu já tinha ouvido Jussara Silveira. Mas eu nunca tinha visto Jussara Silveira. E isso faz toda a diferença do mundo. Onde foi parar aquela timidez que a gente ouve no disco? Ao vivo, ela desaparece atrás de um nariz semita capaz de promover a paz entre judeus e palestinos. E de um decote que muitas modelos fariam fila na Santé para poder usar. Sua presença cênica amplifica, e como, o impacto de sua voz - cujo charme vem de um levíssimo esganiçado que lhe confere uma beleza estranha e singular. É como se fosse Gal, mas sem a perfeição irritante da voz de Gal. É como se fosse Bethânia, mas com uma voz mais bonita que a de Bethânia. Enquanto as outras, até mesmo Alcione, desapareciam perto da anfitriã, Jussara Silveira se mostrava à vontade, como se Bethânia fosse sua convidada. Mas daí ela cantou três musiquinhas e tornou à coxia, voltando ao palco só como backing vocal. Na volta, corri para a Internet, e descobri que a moça canta há 15 anos, e já até andou fazendo shows em São Paulo, nos idos de 97 e 98. Meu Deus, em que planeta eu estava? Volta, Jussara! Que três musiquinhas não são nada...

Domingo, Março 04, 2012

Além de dois existem mais

Se com os blogs as pessoas ganharam a oportunidade de expor suas idéias para o mundo, com as redes sociais, elas parecem querer ir além. Elas querem impor suas idéias ao mundo.
Ninguém mais se contenta em diser "eu penso isso", "eu acho isso", "eu acredito assim". As postagens afirmam e dissem "fato". Não raro, já menosprezam qualquer idéia contrária, geralmente em frases como "não sei como tem gente que...", "e ainda dizem...", "pobres os que pensam..."
Será que é tão doloroso pra humanidade aceitar a pluralidade de idéias, atitudes, modos de vida?
Por que as pessoas só conseguem expressar que são felizes com suas vivências espirituais, demonstrando pena dos ateus?
Por que a mulher que optou por priorizar seus projetos pessoais, se sentindo plena sem precisar casar e ter filhos, acha que a que resolveu focar sua energia em construir a família necessariamente é submissa ou infeliz ou incompleta?
Não dá pra dizer que é feliz no casamento, sem questionar a opção dos que querem estar solteiros?

E aí de quem colocar comentários contrários a quaisquer das opiniões emitidas!
Como alguém que coloca o ponto de vista contrário sempre que percebo que o emissor não está admitindo a existência de outro meio de ver a coisa, mesmo quando concordo com a opinião emitida, percebo o quanto isso desagrada aos palpiteiros de plantão. Alegam que eles tem direito a opinar sem serem contestados, porque o perfil é deles, que quem quiser discordar que vá falar nos seu perfil, que não falou aquilo para ser debatido e outras demonstrações de intolerância e falta de disposição para que se ache um "caminho entre as idéias".

Na defesa de suas opiniões, as pessoas chegam a descartar fatos indiscutíveis para que isso não abale suas convicções.

Essa situação me veio à mente ao ver um documentário no Canal Brasil sobre poliamor.
Assunto polêmico, o poliamor admite a possibilidade de amar mais de uma pessoa quando se está em um relacionamento. A maioria das pessoas confundem com depravação ou promiscuidade ou traição, por mais que os adeptos do poliamor expliquem se tratar de relacionamentos consensuais com aquelas pessoas.
Particularmente, sou monogâmico. Cresci numa sociedade que me ensinou isso como padrão. Mas não sou estúpido a ponto de ignorar que isso é uma convenção social.
Existem vários outros modelos de relacionamentos, em outras culturas, em outros tempos e até na natureza. Até mesmo na Bíblia, onde a maioria das pessoas com poucas inclinações a opniões divergentes buscam suas certezas.
É possível dizer porque o modelo monogâmico é o ideal (ou não) para nossa economia, porque ele facilita ou dificulta a estruturação de uma família e muito mais, mas não se pode afirmar com certeza que ele seja melhor ou pior para pessoas, simplesmente porque isso é opinião. E certamente não se pode pode dizer que seja o modelo certo, ou ideal, ou natural, ou divino.

No documentário que mencionei, o repórter pergunta pra uma mulher: "como você se divide entre seus dois amores?"
E ela rebate: "como você se divide entre seu pai e sua mãe?"

Admito que talvez não tenha sido tão simples assim pra ela chegar a essa assertiva, afinal ela também foi criada numa sociedade monogâmica, mas a resposta dela pode nos fazer pensar que pra algumas pessoas é simples assim, e só porque não entendemos, não quer dizer que do nosso jeito é melhor.

Acho que muitas vezes as pessoas sentem inveja de quem tem comportamento não convencional e, por não ter coragem ou estrutura de fazer o mesmo, procuram defeitos naquele comportamento e tentam afirmar os seus.

Sábado, Março 03, 2012

Mau perdedor

Brasileiro não sabe perder. Eu já falei aqui que ele é mal humorado, mas ele também é um péssimo perdedor. E dois episódios recentes comprovam isso.

Quando Carlinhos Brown foi indicado ao Oscar, os brasileiros, especialmente os baianos, se orgulharam e com razão. É uma honra ser indicado ao Oscar, não é coisa pra qualquer um. A TV Bahia enviou repórter pra lá. Matérias com Brown todo o dia. Torcida no Facebook e, acredito, em outras redes sociais. Desencavaram tudo que é foto dele. Na casa dele todo mundo se reuniu pra acompanhar. Afinal, trata-se da maior premiação de cinema do mundo.
Mas eis que anunciaram o vencedor e, só porque era outro, as reações não foram a de decepção e trsiteza normal. Os brasileiros não se limitaram a lamentar que, apesar da qualidade da música de Brown, ele não fosse o vencedor. Passaram a desfazer dos jurados, da academia, de menosprezar a premiação. Coisas como "ele é maior do que isso", "ele não precisa de um Oscar", "essa premiação não quer dizer nada", foram algumas das frases que eu vi, nem tão literalmente.
Ora, se a premiação não fosse importante e não tivesse um significado, por que então toda a agitação antes? O próprio Brown exibiu na TV, com orgulho devido, o certificado de indicação. O mais digno seria dizer que, infelizmente não deu, que a música de Rio apesar de linda, talvez não seja agradável para o gosto dos americanos, e que foi bom ter sido indicado.

O outro caso, mais recente, mostra que nem só na área de entretenimento o brasileiro não sabe receber críticas negativas.
Quando há alguns meses, a FIFA fez elogios aos trabalhos desenvolvidos pelo Brasil para a Copa, a notícia foi espalhada aos quantro cantos do país e, até quem se diz indifirente a esse evento, ficou impressionado. Afinal, a avaliação foi da autoridade competente para tal. Agora, Jérôme Valcke, secretário-geral da FIFA, avaliando as discussões inúteis e sem argumentos no Congresso que impedem a aprovação da lei da Copa, disse que o Brasil precisa de "um chute no traseiro" para acelerar esse processo. O Brasil poderia contra-argumentar (se argumentos houvesse), poderia dizer que os termos não foram os mais polidos, enfim... ao invés disso, fez beicinho e disse que não fala mais com o secretário da FIFA, que "exige" que a pessoa seja outra, que aquela declaração "não corresponde à realidade dos fatos". Ou seja, a capacidade avaliativa do secretário só serve quando é favorável aos brasileiros.
O pior é a população se dizendo ofendida, quando na verdade, deveria apoiar um "chute no traseiro" dos congressistas para que aprovassem não só a lei da Copa, como os diversos projetos que lá estão há anos sem aprovação, quando esse é o trabalho deles.
Acertadamente o Secretário da FIFA disse que se recusar a falar com ele, que é a pessoa com quem devem falar, é uma atitude infantil. E é. Assim como devem parecer infantis o nosso sistema político e eleitoral aos olhos de qualquer país civilizado.
Somos maus perdedores, sim, e além disso, ainda jogamos os jogos errados.

Quinta-feira, Março 01, 2012

Ajudando de verdade

Há muito mais coisa a ser discutida nessa questão do Aristides Maltez do que simplesmente jogar pedra na prefeitura pela iminência do fechamento do Hospital.
Óbvio que uma entidade que presta um serviço gratuito desses e tão importante para a população não pode ser fechado.Mas não é com emoção e apelos que vamos resolver as coisas. É preciso que tudo seja dito e esclarecido para entendermos o que está acontecendo e o que pode ser feito de forma efetiva.

Pelo que entendi, e me corrijam se eu estiver errado, a prefeitura repassa R$ 5,6 milhões do que recebe do Ministério da Saúde para esse hospital. Então é de se perguntar: qual é o repasse total da União para a prefeitura e onde está sendo aplicado o restante? Afinal, não adianta aumentar a verba do Aristides Maltez e fechar postos de saúde.

Quais as despesas desse hospital, como está sendo gerenciado? Não adianta injetar 13 milhões agora para pagar uma dívida e o hospital fechar daqui a um ano com nova dívida. Tem que saber os gastos mensais fixosa do hospital, analisar se a administração está sendo boa, ajudar se precisar de apoio administrativo e gerencial, promover uma campanha para criar contribuintes fixos.

A prefeitura alega que o hospital atende pessoas de outros municípios. Logo acusaram o secretário municipal de saúde de tratar pessoas como aliens. Não é nada disso. Cada município recebe verbas da União para a saúde. É prática comum de algumas prefeituras investirem a verba apenas em ambulância para transferir seus pacientes para outras localidades (desviando o retso do dinheiro). Assim, aqueles municípios que investem corretamente a verba em hospitais, que tem um custo muito maior de pessoa, equipamento, acabam com o tempo sem conseguir atender sua demanda. Ou seja, com o tempo o hospital fica sucateado, enquanto no outro município o prefeito usa verba pra fazer festa de São João. E a população que paga por isso? SIM. E é quem deve pagar, porque na hora de reeleger um prefeito, é a população que está se saracuteando nos shows que vota nesse prefeito. Então, se uma cidade recebe pessoas de outros municípios, a verba de saúde daquele município deveria ir pra essa cidade. Isso tem que ser reavaliado, sim, e não adianta dizer que é política.

Apenasd uma gritaria geral, nem olhar as causas do que está acontecendo só vai adiar o fechamento desse e de outros hospitais. Querem ajuda? Vamos promover uma ampla discussão sobre esses repasses das verbas.

Segunda-feira, Fevereiro 27, 2012

Meia-noite eu chego lá

Acabou o horário de verão.
Morássemos num país sério, o governo estaria levantando dados da segurança para ver se realmente os registros de criminalidade aumentaram no horário em que as pessoas saem para o trabalho, principal acusação dos opositores do horário de verão.
A sociedade civil, por seu lado, estaria também fazendo o mesmo controle.
Mas, como aqui é Brasil, deixaremos para no ano que vem recomeçar o bate-boca na base do achismo e do deve ser.

Quarta-feira, Fevereiro 22, 2012

Tudo tem limites.

Novela é ficção. Em tese não teríamos que discutir as coisas que se passam nela, a não ser a qualidade do texto e da dramaturgia.
O problema é que no Brasil, não só o público confunde realidade como ficção, com movimentos de minorias fazendo grita e ministra do governo interferindo na trama, como a própria novela se arvora a discutir assuntos de interesses da sociedade.
Nada contra tratar de assuntos atuais e polêmicos, mas as novelas, especialmente as das 21 horas da Globo, lançam a polêmica, conduzem os debates e apresentam seu ponto de vista como se a verdade fosse, e nessa estratégica contam com o restante da programação da emissora que dá um ar científico à obra ficcional.
A novela Fina Estampa discute o procedimento da reprodução assistida.
O primeiro erro que vi foi um homem da alta sociedade, esclarecido, dizer que não aceitava a inseminação, porque não admitia que sua esposa tivesse filho com outro homem. Ser contra a reprodução, até alegando que a criança não teria os mesmos genes é uma coisa, reagir como se fosse adultério é inconcebível. A reação de Paulo nem deveria ser discutida, pois parte de uma ignorância que, a meu ver, nem combina com a personagem. Mas vá lá liberdade do autor.
Mas a falha recente no argumento foi mostrar a reação da população com a clínica de reprodução. Ameaças de morte à médica, uma turba furiosa invadindo a clínica, destruindo tudo. Ora, cotidianamente vemos clínicas onde pessoas morrem por erros dos profissionais sem que isso gere essa mobilização popular. Uma clínica de reprodução assistida, onde o médico além de manipular os resultados ainda estuprava as pacientes desacordadas, não foi objeto de nenhuma ameaça do tipo. Pelo contrário, durante as investigações policiais, o médico, mesmo com o registro cassado, continuava clinicando, ou seja, as pessoas continuavam indo lá. Assim, essa reação contra a clínica da novela é inverossímel.
Ficção é ficção e o autor tem toda a liberdade, respeitando as leis do ambiente ficcional. Se o autor resolveu ambientar sua novela no Rio de Janeiro de 2012, pode criar a personagem que for, mas a população do Rio de Janeiro de 2012 em sua novela deve se comportar de forma condizente a como a população do Rio de Janeiro de 2012 se comportaria.

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2012

Greve de fome.

Começou a circular no Facebok uma postagem sobre um "jovem" que estava em greve de fome na porta da Rede Globo, em protesto contra a omissão da TV em mostrar como foi o massacre em Pinheiro. Reclama a postagem que a Globo não mostrou a greve.
Em primeiro lugar, seria simplesmente absurdo querer que a Globo mostrasse qualquer coisa de um protesto contra ela, ainda mais que é um protesto justamente por ela omitir fatos. Mas, certamente, se outras emissoras mostrassem, a Globo teria que se pronunciar a respeito. Talvez as outras emissoras não tenham mostrado com medo de futuramente serem acusadas tambéms de omitir isso ou aquilo.
Mas, paranóico como sou, primeiro fui investigar esse "jovem". Não encontrei nada que demonstrasse que ele não está sendo sincero na sua manifestação, mas muda o fato saber que ele é um cineasta e que fez um curta documentário sobre o caso Pinheirinhos. Ou seja, mesmo que não seja essa a intenção dele, a greve vai ajudar a promover o vídeo.

Domingo, Fevereiro 12, 2012

Quem eu seria agora.

Fui assistir ao espetáculo Cabaret Stravaganza, no Espaço Satyro.
Não vou contar detalhes do que aconteceu, sob risco de estragar a surpresa de quem for futuramente ver o espetáculo, mas não posso deixar de comentar ao menos uma impressão que tive do espetáculo.
Em dado momento, foi perguntado a um espectador se ele pudesse escolher uma personagem, ali, naquele momento, para ser, quem ele escolheria.
A pergunta não me foi dirigida, mas confesso que pensei: Robson Catalunha! Qualquer um dos oito. Quem são esses oito, vocês terão que assistir ao espetáculo para conhecer, mas a questão é por que eu escolhi essa personagem pra ser.
Simplesmente porque, ao início da peça, Robson Catalunha, um deles não importa qual, me disse umas coisas que me fizeram pensar. E não importa se aquilo veio dele mesmo ou foi escrito por alguém, foi ele quem disse. Eu só conseguia pensar: como ele é jovem! Será que se eu tivesse a idade dele, pensaria assim, desse jeito?
Não adiantava lembrar como eu era aos 26 anos. Nessa época as inquietações eram outras. Eu queria saber como eu pensaria e sentiria essas questões se hoje eu tivesse 26 anos e naquele momento, a única personagem que eu conhecia que tinha 26 anos, em 2012, e que pensava sobre as amizades do mundo virtual, era Robson Catalunha. Um dos oito.